Todos os textos deste blog são de minha autoria, quaisquer textos, frases, ou expressões de qualquer outra pessoa, virão em itálico ou com créditos.

27 de agosto de 2012

Vértices de um coração


Cresci, mudei e embora os fragmentos de sentimentos permaneçam em mim, meu coração não cabe mais nesse blog. Mudo de endereço para manter as palavras, que é como uma mania de me transbordar para não me afogar no tanto que há no esquerdo.

O sentimento mora aqui a agora: http://verticesdeumcoracao.blogspot.com.br/

23 de agosto de 2012

4 letras.



Quais são as palavras que descrevem o amor? O alfabeto dispõe um belo arsenal de 26 letras e muitas combinações, mas quando se trata dessas 4, nem todas as palavras são suficientes. O amor pede mais. Sempre mais. A inópia das palavras é dispensável. Eu te amo é pouco, quase nada. Vamos lá, prove. Então o amor passa a se tratar de atitudes. Ele é insaciável e minimalista. Pede detalhes. A rosa roubada, a ligação de boa noite, o bilhete no guardanapo. Não aprecia alarde, se alimenta de sussurros. Ao mesmo tempo em que é arrebatador se caracteriza pelo jeito manso e contradiz a razão. Não há nem migalhas de razão. Sufocante, faz a mão suar, o joelho tremer e o estomago remexer, feito doença. Mas há quem diga ser cura. Coloca sorriso em lábios e estrelas nos olhos. Não dá para entender. E nem poderia. Amor é para sentir e só.

4 de agosto de 2012

Tentando esquecer.

Faz sete noites que estou dormindo na casa dos meus pais. O perfume dele está impregnada nos lençóis, nos livros, no ar do meu apartamento. Eu não quero me lembrar. Semana passada entrei na academia decidida a fazer minhas roupas se tornarem grades demais para mim. Para ver se assim tomo coragem de doar todas as que ele me deu. Eu não quero me lembrar. Primeiro de

3 de julho de 2012

Você não sabe o que eu escondo num sorriso.

Desculpe-me o mau jeito, a culpa não é sua se quando me estende a mão eu ponho em prática meu direito de recusar. Acredito que não há a quem culpar se não ao mundo. Não é assim que se faz quando não se sabe como tanta amargura foi parar dentro do peito? Nem sempre foi assim, embora eu não me lembre de como era antes. Eu não sei sorrir. Digo, verdadeiramente. Sorriso falso todo mundo sabe dar, acredito que fiquei assim após receber uns desses. Você sabe diferenciar? É, também já fui assim. Agora me faço acreditar que nenhum é verdadeiro e não me machuco mais. É mais fácil e menos doloroso. Ou isso ou os tombos me deixaram calejada o suficiente para não sentir mais tanta dor. Você tem fé? Em que? Eu costumava ter fé em Deus, ou seja lá quem for aquele que nos criou. Hoje não tenho fé nem mesmo em mim.

2 de julho de 2012

E no consultório...


- Bom, doutor, eu não sei bem o que está acontecendo comigo. Tem hora que eu acho mesmo que é loucura, mas também pode ser principio de infarto. Meu braço não ficou dormente não, só que minhas pernas... Tem horas que eu nem sinto. E o coração acelera e acelera e acelera.

27 de junho de 2012

Estrela cadente.


Olha rápido. Aquele ponto de luz cruzando o céu tão célere. Contam ser uma estrela cadente e que um evento assim é raro. Por ser mais raro ainda presencia-lo, é concedido a quem o observa um pedido. Mas apenas um, então escolha bem. Eu já fiz o meu. É o mesmo que faço quando vejo horas iguais, ou quando um cílio cai. Não posso te contar, ele não se realiza se contamos. É, dizem isso também. Mas confesso que você faz parte dele. De cada pedacinho dele...

Como eu explico?.


Não sou uma vadia. Não dá para acreditar assim, né? Mas é verdade, eu nunca fiz isso com outros caras. Típico de vadia que quer bancar a boa moça, eu sei. Mas eu não soube como evitar o arrepio que percorreu meu corpo em resposta ao seu toque e entorpeceu os meus sentidos. Nossas roupas foram jogadas no chão antes que eu me desse conta. Quando percebi o rumo que as coisas estavam tomando, algo na minha cabeça gritou: “Hey, rápido demais! Rápido demais!”. Mas havia algo em seus olhos que seduzia até mesmo minha razão. Deixei de me importar se você me ligaria no dia seguinte ou se mudaria o seu número. O agora me bastava. Quem diria, nunca me fiz de momentos e aquele me dominou inteira. Seus lábios sussurraram um riso malicioso em meu ouvido e minhas unhas devolveram a carícia em suas costas. In-ten-sa-men-te. Li seus pensamentos através de seu corpo, que fez o meu dançar. “Pare!”, pediu um rastro da minha razão perdida. “Não pare!”, minha língua pronunciou um pouco antes de encontrar a sua mais uma vez. E agora ela não encontra palavras que expliquem que eu sou muito mais que uma noite. Veja só, sua mão na minha coxa foi excitante, mas viraria a minha cabeça se ela entrelaçasse a minha no cinema. Eu queria que você entendesse que a noite de ontem só aconteceu porque algo em você é especial para mim, de tal forma que quero te encontrar mais vezes na meia luz do seu quarto e na luz ofuscante do dia-a-dia.

E ai, topa?

10 de junho de 2012

Quase um ano.


"Publicar um texto é um jeito educado de dizer "me empresta seu peito porque a dor não tá cabendo só no meu."



Machuca, dói, dilacera, sufoca, despedaça. Ai você tenta fugir, mas não tem pra onde correr. O lugar que era porto-seguro se desfez. E não adianta chorar. O olho incha, as lágrimas secam e aquele buraco dentro de você continua te sugando tentando preencher o vazio. As pessoas se aproximam e dizem palavras para te consolar e você passa a sentir raiva delas. Das palavras que não ajudam quando seu maior desejo é que ajudasse. O que se faz com quem se vai, mas continua dentro de você? Como se lida com a saudade que não passa e desespera? Tem remédio pra essa dor que nasce não sei aonde e faz doer o corpo inteiro? Então a gente descobre que não tem. Falaram sobre o tempo, mas é mentira. O tempo não cura, não faz passar. O tempo passa, rápido, quase instantâneo, mas por dentro ainda dói como se tivesse acontecido ontem.

"Me cuesta abrir los ojos
y lo hago poco a poco,
pero no te encuentro cerca.
Me guardo tu recuerdo
como el mejor secreto,
que dulce fue tenerte dentro."

3 de abril de 2012

Quase sete.

Eu tinha resolvido que só te daria um “oi”, no máximo deixaria escapar um “tudo bem?”, mas com uma expressão de pressa na face, para não revelar que eu realmente gostaria de saber sobre você, fingir que era só por educação. Só que eu não aprendi ainda como controlar a língua, pulei o “oi”, o “tudo bem” e acrescentei a parte sobre tomarmos um café qualquer dia desses, “Qual o seu número mesmo? Toma o meu... Me liga!”. Desesperada. Você deve ter pensado isso, pensei. Mas quando cheguei em casa e ouvi seu recado na secretária eletrônica trocando o café por um jantar na sexta a noite concluí que talvez não tivesse falado com tanto desespero assim, ou que você deveria estar pior do que eu. Não ligo. Acho até que se a gente se aproximar poderemos encontrar alguma calma. Só que agora eu não tenho ideia de onde ela está. São quase sete e sete foi a hora que você disse vir me buscar. E eu ainda não escolhi um vestido, me deu dor de barriga e eu não encontro meus brincos. Tá calor. Eu fico estressada com calor e vi no jornal que hoje é o dia mais quente do ano. E se eu não conseguir controlar o estresse e cuspir umas palavras não muito gentis na sua cara? Eu to nervosa, não quero que você conheça esse meu lado logo de cara, se for assim o outro nem vai ter chance, eu sei. Quero vomitar. Minha unha quebrou e minha lixa foi brincar de se esconder junto com os meus brincos. E se eu te arranhar? Tem homem que gosta segundo a Carla, minha colega de trabalho. Mas eu tenho a impressão que arranha-lo no meio de uma conversa em que minhas mãos ficam inquietas demais para permanecerem no meu colo não era o que ela tinha em mente quando fez tal afirmação. Vou desmarcar. Minha avó tá doente, coitada, ou o voo do meu irmão atrasou e ele precisa que eu fique com meus sobrinhos porque a babá não pode ficar em cima da hora. Tudo bem, eu sei que é deselegante te ligar assim sendo quase quase sete e desmarcar não somente esse encontro, mas todos os outros que poderiam vir a existir. Encontrei um vestido preto no fundo do armário. Justo o suficiente para segurar os seios numa posição atraente, mas não ao ponto de marcar aquele pneuzinho que o chocolate da TPM passada me trouxe. O telefone toca e sua voz do outro lado me desnorteia. Você está chegando e eu ainda não encontrei meus brincos, minha unha pode amputar seu braço, meu estresse pode fazer você se arrepender do recado deixado na minha secretária eletrônica e seu tom de voz sedutor impediu qualquer desistência do encontro. Ai eu fico com medo. Porque quando eu encontrar a sua cara de homem, ouvir de novo sua voz de homem e perceber enquanto você me conta dos seus planos de homem que você é bem melhor que todos aqueles meninos com quem eu já saí eu posso gostar ainda mais de você, mas você descobrir que não pode gostar nem um pouquinho de mim. Achei os brincos no banheiro. Aproveitei para olhar no espelho e mandar a menina apavorada que refletia virar mulher, porque só mulheres merecem homens e eu tinha cansado dos meninos. Cortei as unhas e o risco de torná-lo um deficiente físico. Respirei fundo. Uma, duas, três vezes. Já eram sete e o interfone me contava que você estava lá em baixo. Tranquei os meus medos infantis em casa e desci com meu desejo adulto de te encontrar. Não tinha outro jeito, nenhum salto alto me colocaria à sua altura se eu não tivesse coragem suficiente para ignorar minhas paranoias e sair com você.

18 de março de 2012

Como cheguei aqui.

Eu não sei como cheguei aqui. Acho que fui guardando coisas demais. Guardei seu sorriso meigo, seu cheiro gostoso, a quentura das suas bochechas quando recebia um elogio. Sei lá, só sei mesmo que depois de um tempo passei a sentir teu abraço tão aconchegante quanto o meu coberto numa manhã chuvosa em que deveria levantar para trabalhar. O calor do seu corpo passou a me prender feito o coberto, nada fora dos seus braços me interessava mais. Quando eu te vi chorar pela primeira vez então menina, naquele romance bobo que você me convenceu com tua voz doce a assistir, despertou em mim um instinto protetor que até então eu desconhecia. Quis te cuidar, te aninhar com o cuidado de quem segura um objeto precioso de porcelana, com medo de quebrar. Aí pronto, os passos seguintes foram inevitáveis como um carro sem freio numa descida bem alta. No final tudo tinha perdido significativa importância, noites de sono só mesmo para sonhar contigo; comer, beber, até o futebol havia se tornado banal. Só me importava mesmo era te chamar de minha. E acho que foi assim que vim parar aqui, numa igreja, vestido como um pingüim e com as mãos suando como no nosso primeiro encontro. Naquele dia eu não tinha idéia que branco lhe caía tão bem e que um “sim” seria capaz me trazer tanta felicidade ao sair dos seus lábios.

31 de janeiro de 2012

Caminhos.

Foi depois de caminhar por algumas ruas e estradas que eu entendi a importância de cada passo. Comecei só, até que fui persuadida por uma caminhada à dois e então caí e por mais que eu procurasse, não achei uma mão que me ajudasse a levantar. Percebi que retomar uma caminhada solo seria no mínimo menos arriscado. Virando algumas esquinas encontrei caminhos doces que quiseram se unir ao meu e me deparei com uma vontade imensa de aceitar toda doçura que me era oferecida. Mas veja bem, abandonar a solidão que há tanto me acompanhava, por subidas e descidas, sem jamais me deixar na mão, era algo que merecia ser bem pensado e repensado e trepensado se possível. Um passo errado poderia me fazer cair outra vez e o arrependimento que segue uma queda é ainda mais dolorido que as feridas. Então aceitei somente a trajetória que me trazia segurança. Caí mais uma, duas, três, n vezes. Foi assim, pisando em falso e tropeçando que eu percebi que uma mudança no destino deve ser feita por algo que realmente mereça, algo que valha a queda, o peito ralado, os olhos encharcados. Só se deve mudar o curso quando o novo caminho lhe despertar muito mais que desejo ou segurança. Você sabe, desejos são passageiros, mundanos e a segurança é falha. Então eu descobri que eles estavam certos. Todos os poetas. Como disse a Tati B., tem que arrepiar cada centímetro do seu corpo e fazer você sentir o sangue bombear num ritmo charmoso. Caso contrário não vai valer, não vai dar certo. Pois só o que é capaz de lhe roubar o chão é capaz de lhe dar o impulso do vôo. Foi assim que eu descobri que são os caminhos que mais lhe despertam medo que devem ser seguidos. São as sensações mais assustadoramente encantadoras que vão lhe trazer um sorriso quando tua face estiver molhada. Desse modo eu passei a não somente entender, mas seguir fielmente o Caio: olhe os caminhos, o que tiver mais coração, siga!

18 de janeiro de 2012

Aposta.


O melhor de tudo – não há dúvidas – são os detalhes. Esses momentos simples nos quais suas mãos brincam com meus cabelos e meus dedos acariciam seu rosto, contornando cada traço seu. A forma com a qual teus olhos me fitam quando distraída com a TV eu te pego olhando para mim. Os suspiros leves que me escapam ao encontrar conforto no teu peito. São essas minúcias de momentos nossos que ao repousar a cabeça sobre o travesseiro invadem com felicidade os meus lábios. É a essência das coisas mais banais que fazemos quando juntos que me fazem desejar parar o tempo quando o relógio alerta a hora de ir embora. Notei esses dias quando você preparava nosso lanche, que você caí bem na minha cozinha, e que não ligaria te encontrar lá manhã, depois e sempre. Mesmo que eu prefira viver um dia de cada vez, como você sugeriu, confesso cair na tentação de vez ou outra fantasiar um futuro de nós dois. Eu não te contei, mas tenho adorado seguir esse caminho em que seus dedos se entrelaçam com os meus. E todas essas palavras desconexas são de certa forma um jeito de dizer que tenho apostado em nós, de um modo que nunca imaginei que fosse me permitir. Já não sei se acerto ou erro feio, mas quando você me sorri sem jeito se fazem seus os meus sentimentos mais bonitos.

8 de janeiro de 2012

Não há mais volta.

Eu não sei como funciona essa coisa de despedida. Nunca me importei, nunca me despedi. Mas há algo bom em você que desperta algo bom em mim, e eu não queria magoar alguém que me fez tão bem. Deste modo, resolvi que você merecia alguma explicação. Eu não tenho motivo nenhum para acreditar em amor, eternidade, sinceridade. Nunca encontrei uma provinha se quer de que existe mesmo esse lado bonito e bom em amar. Não consigo acreditar no afeto superficial que vejo em mãos dadas desses tantos casais que encontramos em toda esquina. Sempre acho que por trás dos dedos entrelaçados ele trai a confiança dela na cama de outra ou que ela o engana matando aula de inglês para encontrar os lábios de outros. Eu vi tanta mentira que não consigo mais ver verdade. Então quando você diz assim todo meigo que me ama eu imagino quantas já não se encantaram com esse brilhinho nos seus olhos, e que eu não sei ser como elas, mesmo que eu tente. E foi assim que eu decidi ir embora. Porque eu não acredito, não em você, mas nessa coisa de amar. E você merece alguém que acredite. Não estou indo embora porque eu me ache superior com a minha falta de fé. Mas porque você com toda essa fé é mil vezes melhor que eu. Sabe toda a felicidade na qual eu não acredito? Eu quero muito que venha existir para você. Nunca deixe de sentir, uma vez nesse caminho não há mais volta.

Um beijo doce,
se cuida.

5 de janeiro de 2012

Depois do Sid.

Eu tentei me reinventar, para se, ao acaso, te encontrasse pela rua. Dizer que conheci alguém novo naquela boate que você sempre se recusava ir e que as coisas caminhavam para algo mais sério, talvez. Isso de tentar mostrar que eu segui sem você e que tudo andava muito bem obrigada. Só não poderia confessar que desde a nossa última noite eu me encontrava jogada no sofá, chorando com qualquer pequena cena romântica que passasse na TV. É tudo que me lembro além do gosto amargo da vodka toda manhã. Mas então me toquei que para te encontrar eu primeiro teria que sair de casa, o que não fazia a um tempo considerável. Uma amiga veio tentar me salvar do melodrama do nosso fim antes que eu me afogasse em tantos lenços de papel. Eu disse que precisava de você. Ela disse que eu precisava de luz e um pente. Abriu as cortinas e me trouxe um espelho. Não reconheci o reflexo. Mas até que ele estava melhor do que minha parte de dentro. Ela disse que era o álcool, o romantismo hollywoodiano e a minha queda em ser a coitadinha. Quis mandá-la para o mesmo lugar que mandei você quando me contou sobre a Carla. Você, Carla, ela e todo o mundo poderiam ir para lá. Mas ela me trouxe um café e a foto de um tal de Ricardo que estaria super interessado em mim. Ele parecia o Sid da “Era do Gelo”. Ela disse que apertando os olhos e com as luzes da boate eu o acharia parecido com o Tom Cruise. Foi aí que eu percebi que ela merecia ir para um lugar bem pior. Mas tenho que agradecer à ela, a você e a Carla. Depois do episódio do Sid eu tomei um banho e marquei hora no salão. Voltei a trabalhar, bani qualquer gota de álcool e passei a acordar todos os dias buscando ser mais bonita ao ponto de não precisar ficar com uma animação de um bicho preguiça, ter mais amor-próprio para não deixar que existam outras Carlas e ser mais inteligente para não me apaixonar por babacas como você.

24 de dezembro de 2011

Não sei lidar.

Você não estará lá. Assim como não esteve no meu aniversário ou na minha colação de grau. Mas ainda assim eu irei te ver. Nas comidas típicas que nunca serão tão gostosas quanto as suas, na tristeza dos olhos de cada um que sente sua falta, nos sorrisos que se tornaram incompletos sem sua companhia. Eu não sei lidar com isso: a tua ausência, essa saudade. Com isso de ao passar na sua antiga rua ter os pés no automático caminhando para a casa que era tua e sentir os olhos encharcarem de uma tristeza tão doída ao lembrar que se eu tocar a campainha não será você quem virá me atender. Depois que você se foi tudo ficou uma bagunça. Todos nós perdemos o rumo. E por mais que como todos eu acorde pela manhã e tente seguir a vida, toda noite fica um vazio, um não saber o que fazer sem você por perto. E hoje seria o dia no qual eu passaria na sua casa, com um presente doce para você e com o peito reclamando o teu abraço e o nosso sorriso. Mas não terá visita ou abraço com sorriso, só uma saudade absurda banhada em lembranças do que nunca mais irá acontecer. Sabe mãe, hoje quando o relógio badalar meia-noite, em meio à comemoração de tantos, eu só conseguirei ouvir a tua ausência fazendo silêncio em todo lugar.

20 de dezembro de 2011

Conto de fadas.



Não existe príncipe encantado. Não importa quanto o busque, nunca irá encontrá-lo. Ele simplesmente não existe além das palavras que seguem o ‘era uma vez’. Procurá-lo é algo que trará apenas decepções, lágrimas e uma angustia doída sempre que a cabeça repousar sob o travesseiro. Homem encantado é fantasia. O que realmente existe é homem encantador. Aquele que sem esforço irá te agradar, naturalmente. Aquele que colocará um sorriso em seus lábios sem alarde, mas que quando você der por si se encontrará estampando um enorme sorriso bobo no rosto. Aquele que quando te encontrar irá observar seu decote e sua bunda, mas primordialmente te fitará os olhos. Aquele que não irá reparar no cabelo, na roupa, nas unhas, mas que irá notar suas sutis mudanças de humor, sua alegria, tristeza e principalmente sua TPM. Aquele que aprenderá seus traços e manias. Que enxergará seus defeitos e saberá que suas qualidades são bem maiores. Aquele que sairá para beber com os amigos, assistirá futebol aos domingos e mesmo assim saberá dar valor a uma tarde ao seu lado. Aquele que talvez não se lembre do aniversário de vocês, mas que não se esquecerá do sabor do seu suco predileto, rotina de toda manhã. Aquele que não fará declarações de amor ou ficará de pieguices românticas, mas que irá segurar sua mão ao passearem pelo shopping e te ligará antes de dormir desejando boa noite. Aquele que terá a vida dele deixando espaço para que você tenha a sua, apesar de sentir que o dia não foi completo até saber das suas coisas e compartilhar as próprias. Aquele que não chegará montado num cavalo branco com todo o glamour que você esperou, colocando brilho nos seus olhos, mas aquele que chegará sem que você note e que conquistará aos poucos sua admiração. E esse é o homem que deve ser procurado. Vestir alguém com ilusões de príncipes e esperar que este a faça feliz, fará com que se enxergue somente sapos no mundo. Enquanto isso, por trás de cada desilusão, se encontram vários seres humanos assim como você, cheio de defeitos e imperfeições, e com uma capacidade enorme de construir ao seu lado uma história bem melhor que um conto de fadas, uma história real.

12 de dezembro de 2011

Pare ou siga (comigo).

Isso. Faz assim. Vamos, uma lágrima é pouco. Roube-me dez, vinte, cem, mil. Destrua essa minha ilusão. Impeça-me de derrubar esse muro que me protege de sentimentos mais intensos, mais íntimos, mais perigosos. Faça com eu me recomponha, que não me derreta com as tuas recentes palavras doces sobre um sentir gentil que me fez querer sentir também. Não me deixe sentir. Vamos, freie-me. Ainda há tempo para impedir que eu entre num estado de amor por você. Permita somente esse sentimento que há outros foi similar. Que poderá ser desfeito igualmente, indolor. Faça com que eu recupere o plano original: nada de se apaixonar. Sentir complica, somos melhores simples. Quero que faças um sorriso nascer em mim, mas que este não se fixe em meus lábios sempre que uma lembrança de como você é incrível e bobo e meigo e amável se apoderar dos meus pensamentos. Mostre-me que você não é tão incrível assim, que você pode me machucar como os outros. Não faça com que eu me apaixone por você se você não quer se apaixonar de volta. Digo no sentido completo da palavra. Piegas e bem clichê. Se você não pretende segurar minha mão, falar com meus pais, dispor seu ombro amigo, me ligar no fim da noite para saber sobre o meu dia e contar o seu, por favor não me faça querer essas coisas. Eu não queria e você sabe. Não faça com que eu as deseje se não pretende me dar. Para de me olhar dessa forma e falar de sentimentos se você não está disposto a sentir inteiramente. Não estou te cobrando nada, pelo contrário, eu morro de medo de sentir. Então não tente fazer com que eu me esqueça dos meus receios se você tem algum do qual não vá abrir mão. Faz o seguinte: deixe-me seguir o plano original ou crie um junto comigo. Mas, por favor, não me deixe criar um sozinha.

4 de dezembro de 2011

Delírios tepeêmicos.

Capítulo I – Toda Paixão Morre.

- Que cara é essa?
- A única que eu tenho.
- TPM?
-Eu não to de TPM!!
- Tudo bem. Mas me diz: que cara é essa?
- Meu relacionamento acabou!
- Aham, tá bom!
- Sério. Eu te juro. Dessa vez acabou! Não dá mais certo!
- Ok. O que houve?
- Ele falou diferente comigo!
- Como assim diferente?
- Diferente, ué.
- Só isso?
- E tem mais. Tá tudo igual!
- Ué, mas ele não falou diferente com você?
- Não é isso, é que é muito tempo junto. Virou rotina. Tudo ficou igual. O beijo tá igual. Os dias estão iguais. Meus finais de semana são sempre iguais. Até o sexo tá igual! Tá tudo sem graça!
- Então muda. Renove. Experimenta outro jeito de beijar. Vai para outros lugares nos finais de semana. Compra uma lingerie nova e faz uma posição nova na cama. Sei lá!
- Tá, pode ser. Mas...
- Mas o que agora?
- Ah, não quero mudar!
- Aimeudeus!
- É que pensando bem eu acho que não é isso.
- Então o que é?
- Não sei. Esse é o problema. Não sei se quero mais ficar com ele. Sabe, eu nem penso mais em casar. Desisti. Nem sei se estaremos juntos amanhã, imagina no ano que vem. Tá vendo? Meu relacionamento acabou! ACABOU!
- Já entendi tudo.
- O que? Que a gente não se ama mais?
- Não. Que você está de TPM.
- E o que eu faço?
- Espera. Dentro de alguns dias isso passa. Foi a mesma coisa mês passado, lembra?
- Mas dessa vez é diferente!
- Sempre é. No mês seguinte também vai ser. E no outro. E no outro...

Dedicado a Sarah Ferreira.

30 de novembro de 2011

Vou embora.

 Porque no meio de uma comédia romântica que alugamos, você deitado no meu colo se virou para mim e disse: “Quanto tempo você vai demorar a dizer que me ama? Sabe, não quero apressar nada, só queria saber quando o que a gente sente vai ser igual.” E eu olhei para aquela sua pinta perto da sobrancelha que me encanta e para sua mania de mexer no cabelo quando fica nervoso querendo tanto te dizer sem rodeios e ‘poréns’ que te amava. Mas eu não podia, porque eu não sentia. E te disse apenas que não sabia, mesmo tendo certeza que você era a pessoa mais merecedora do amor na face da Terra. Você abre a porta do carro para mim desde o primeiro encontro e me elogia ainda que eu esteja de moletom e com o cabelo preso. Você deixa um ‘bom dia minha linda’ escrito no bloquinho de anotações ao lado da minha cama sempre que sai para trabalhar antes que eu acorde. Você desculpa os meus surtos de TMP ainda que eu não os reconheça e finge que eu tenho a razão para evitar brigas. Você fala “Caralho, Ana”, quando brigamos, de uma forma que me excita e que nos leva resolver os problemas na cama. Você aprendeu a cozinhar o meu prato favorito. Você dorme abraçado comigo quando eu fico com medo de algum filme de terror. Você seca minhas lágrimas e segura a minha mão. Você não diz que vai ficar como os outros. Você fica. E é por isso que eu estou indo embora. Porque eu perdi a parte de mim que se entrega, se envolve, se apega, se apaixona. Porque você merece alguém que faça todas essas coisas de amor por você. Porque você merece ter alguém que te ame de volta. E não sou eu.

Só mais um sonho.


Ele me invadiu com aqueles olhos azuis. Invadiu-me como somente ele sabe fazer. Arrepiou cada centímetro do meu corpo com apenas um olhar. E eu estremeci. Se com olhos ele conseguia me desfazer, a imaginação do estrago que um toque dele me causaria trazia-me um medo absurdo. Medo da dor que faria morada em mim quando o toque cessasse. Medo da solidão que afastaria o sono nas noites em que a ausência dele me lembrasse o quão eu sou infeliz longe daquele abraço. Então ele sussurrou algo que me pareceu ser “sinto sua falta”. Eu só consegui dizer depois de muito esforço que nunca havia saído daqui. Ele que havia me feito querer que ele fosse embora. E ele que foi embora antes mesmo que eu mandasse. Deixou-me com saudades que me destruíam toda vez que uma lembrança do sorriso dele inesperadamente surgia em meus pensamentos. Então eu percebi que na verdade ele nunca havia ido. Eu o encontrava todo dia. Naquele filme que não terminamos de assistir e perdeu a graça sem ele. Na voz do Leoni cantando que depois dele os outros são os outros. No sorvete de baunilha que se fez o sabor das nossas juras. Ele sempre esteve presente em meus dias, de certa forma. Mas com o tempo eu aprendi a ignorar as memórias, deixar de lado a falta. Ele não tinha o direito de reaparecer agora e desajustar tudo o que eu havia demorado tanto para ajustar. Ele se aproximou. Eu me afastei. “Me deixa voltar?”. Ele disse num tom firme. E eu despertei transbordando lágrimas. Foi só mais um sonho. Com os olhos embaçados, mal enxergando os nomes da lista de contatos no celular, procurei o nome dele. “Discar para o número” nunca fora tão convidativo. Não. Você consegue. Pare ele não. Repeti em mantra: Não, não, não. Ligo para outro. E para outro. Quantos forem necessários para suavizar essa minha necessidade dele. Desligo e choro mais um pouco. Eles não têm o mesmo timbre que faz música nos meus ouvidos. Tudo bem, o mundo é grande, tem muitos outros timbres para te encantar. Então levanto, tomo um banho e sigo o dia ligando para o mundo inteiro, menos para a única pessoa que eu gostaria de ligar. 

24 de novembro de 2011

Tão fácil.

É fácil me habituar. Sua presença soa natural, simples, familiar. Como se você sempre tivesse estado aqui. Conhecemo-nos desde sempre, ainda que o sempre tenha começado há pouco mais de dois meses. Então é fácil me acostumar. Com as mensagens de bom dia, com os risos e sorrisos, com o seu timbre. E ainda mais fácil me encantar. Com as suas atitudes, com os seus detalhes. Arrisco até dizer que de certa forma gosto do seu jeito ogrodoce. Isso de não medir palavras e ir direto ao ponto, alegando que a vida é curta demais para fazer novela, mas saber no momento certo banhar a voz em afeto e pôr carinho na ponta dos dedos. Então o seu perfume impregnou minha memória e já não me assusto mais se te encontro vagando pelos meus sonhos em noites inesperadas. Veja que contraditório, minha língua que tinha guardado um “não” para você, hoje não sabe como abandonar o vício no seu gosto. Desisti de entender o que você tem que me faz ter essa sensação de que tudo é diferente e acaba por me prender a você. Deixa estar, tudo bem se nos fizer o bem e você o tem feito como eu não esperava.

"É uma relação bonita, que eu quero preservar e deixar crescer." - Caio F.

16 de novembro de 2011

Sorte.



Não sou nem nunca fui dessas que buscam incansavelmente viver um amor acreditando na felicidade exposta nas histórias hollywoodianas. Acreditava mesmo era na minha sorte por ter escapado da monstruosidade de se apaixonar. Qual a finalidade de cultivar carinho por um desconhecido? Poupa tempo, trabalho e dedicação dar um tiro em si mesmo. No final as duas coisas doerão da mesma forma e deixarão similar cicatriz. Sendo assim sempre dei preferência aos amores dos quais eu decidia o prazo de validade. Uma noite, uma semana, se soubesse afastar o tédio na cama meu interesse se prolongava até um mês. Sexo sem sentimento é mais simples, mais fácil. Eu acreditava. Até conhecer você e descobrir o quão é melhor fazer amor. E lá se foi toda a minha praticidade. Agora tem essa saudade, o abrir da geladeira e pensar em você, uma gaveta de roupas suas na cômoda do meu quarto e esse sorriso idiota no meu rosto sempre que você aparece no olho mágico da minha porta. Quem diria que eu trocaria alguma balada em cima de um salto quinze por uma noite enrolada no edredom assistindo um filme qualquer? Não eu. Mas se hoje você aparecer com aqueles morangos cobertos de chocolate e um DVD não tenho dúvidas que escolheria você. Descobri que eu estava errada o tempo todo. A certeza do não sofrer ao manter o coração intacto não vale os tantos sorrisos quando este é balançado. Tudo bem que a gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixa cativar, mas não é justo com você mesmo ignorar os outros 50% de chance de felicidade. É tudo muito clichê, mas não dá para fugir do piegas quando se depara com o amor. Eu me apaixonei e retifico-me, foi a minha maior sorte.

14 de novembro de 2011

Preciso de você, agora.


NEED YOU NOW by LADY ANTELBELLUM on Grooveshark


Nós dois somos o exemplo vivo daquilo que nunca poderia dar certo. Eu sinto que você é a pessoa mais parecida comigo que eu conheço, só que do lado avesso. E acho até poderíamos nos completar, se já não fossemos inteiros. Não nos falta nada. Da mesma forma que você ainda respira e segue sua vida aí eu respiro e sigo a minha aqui. Só que apesar disso, hoje transbordei saudades. Fazia tempo que eu evitava pensar no que se passou. Mas de certa forma o vazio no peito, segundos antes de dormir, me lembrava você. Engoli as gotas salgadas e te liguei. Caio que me disse que voltar era um erro, que o caminho é para frente, reto e sem curvas. Mas o som da sua voz no outro lado da linha tornou inaudível tudo a minha volta. “Alô”. Por quase um segundo senti meu coração parar, e em seguida ele pulsou desnorteante em minha garganta. Forcei a língua dizer. “Oi”. Silêncio. Você reconheceu minha voz. Será que teve o mesmo efeito que a sua? “Como você está? Faz tanto tempo que não nos falamos...”. Quis dizer mais, que esse mesmo tempo se faz pouco quando se trata da estagnação desse sentimento bandido que ainda me faz refém. Mas me calei. “É faz muito tempo. Muito tempo mesmo. Estou bem e você?”. “Bem também.” Acho que estou aprendendo a mentir, as palavras saíram inteiras, sem gagueira ou demora. Mas você me conhece e o choro que invadiu minha voz não ajudou. “Que voz é essa?”. “Nenhuma. Estou gripada.” Disse rápido. Você percebeu a falácia, mas não disse nada. Silêncio. “E sua vida, como vai? Ainda está trabalhando?”. E ainda está me amando? Quase emendei. “Vai bem, mas larguei o emprego. Todo mundo acabou saindo também. E a sua?”. “Nada de novo, tudo igual.”. Tudo igual, até essa vontade irracional de você. “Hum. Entendi.” Ouvi uma voz no fundo. Era de homem. Perguntei-me se seria de um daqueles seus amigos que ignoravam meu nome e me chamavam de sua namorada antes mesmo de você fazer o pedido. Eu os corrigia dizendo o meu nome. E disse não ao seu pedido. Agora eu diria todos os sim que você quisesse. Ainda que amanhecesse achando tudo um erro mais uma vez. Não tem jeito, não fomos feitos para dar certo. Agora só falta esse sentimento insano parar de me fazer insistir em nós. “Você está ocupado?” “Não, to chegando em casa agora.”. “Ah, ta.” Silêncio. A razão aconselhou-me desligar antes que meus lábios reclamassem seus beijos. Meu corpo sente falta do seu. “Bom, era só isso mesmo. Liguei só para saber como você estava. Fazia tanto tempo...”. “Ligou só para isso mesmo?”. Não. Te liguei porque a saudade não me deixa te esquecer. E é um absurdo mesmo, mas eu ainda te amo e queria saber se você também. Porque se for o caso você podia passar aqui mais tarde ou agora mesmo e acalmar meu peito que ficou sem rumo depois que você foi embora. “É, foi só para saber como você estava mesmo.”. Voltar é um erro, o caminho é para frente, reto e sem curvas - lembrei a tempo. “Então tá, estou bem.”. “Que bom. Então se cuida, tá?!”. “Pode deixar. Você também!”. Preferia quando você cuidava de mim. Mas me viro. “Claro. Tchau.”. “Tchau.”. Fui dormir. Com o travesseiro encharcado e com a certeza de uma ressaca daquelas que só você consegue me causar.

11 de novembro de 2011

Como ser o homem da vida dela.



Primeiramente você deve se aproximar com cautela, comentar sobre um livro ou um filme e descobrir quais são os interesses dela. Então você camuflará seu interesse nela no interesse sobre o aquilo que ela disser gostar. Você vai usar sua lábia, conversarão por um tempo razoável, o suficiente para que ela curta a conversa e queira repetir a dose sem que te veja logo como amigo. A lenda de que uma vez na área da amizade jamais em qualquer outra área certas vezes é real. Melhor evitar esse território. Nos dias que seguirem você deve se fazer notar. Puxe novas conversas e aos poucos as vá estendendo à medida que for mostrando sua real intenção. Demonstre interesse sobre ela, a vida dela, os desejos dela. Coloque-a no primeiro plano. Elogie-a. Convide-a para sair. Cinema, restaurante, um barzinho aconchegante. Leve-a para qualquer lugar que vocês possam conversar mais perto, mais vocês dois. Roube sorrisos. Toque a mão dela e aos poucos, à proporção que os olhos se encontrarem com mais freqüência e a postura de corpo dela demonstrar estar à vontade, acaricie-a no rosto. Depois a beije. Faça-a sentir que você está se entregando ao momento. Seja marcante e ela pensará, ainda que brevemente, sobre você antes de ir dormir. Mas lembre-se, você está lidando com uma mulher moderna, um encontro não significa nada. Ligue no dia seguinte! Marque outros. Invente brilho de apaixonado nos olhos e encare os dela. Envolva-a. Seja o último pensamento dela ao repousar a cabeça no travesseiro. Dê carinho, atenção e demonstre se preocupar com ela. Encante-a. Aí então, quando a voz dela se tornar doce e os olhos refletirem estrelas, será a sua chance! O ponto que definirá quem você é para ela. Nesse exato momento você deverá sumir. Isso mesmo. Desapareça! Não ligue. Não procure. Ela irá te ligar sem saber o que aconteceu. Não atenda. Ela irá repassar na mente cada palavra dita. Passará os dias pensando no que fez de errado. Ela vai insistir. Sua caixa postal ficará lotada. Deixe tocar mais um pouco. Atenda. Seja in-di-fe-ren-te. Ela enlouquecerá. Você a roubará lágrimas incontáveis. Aí então você se tornará o mentiroso, o babaca, o insensível, o cara errado e principalmente o homem da vida dela.

O que obviamente não presta, sempre me interessou muito... - Clarice L.

4 de novembro de 2011

O último encontro.

O pior encontro, a meu ver, é aquele que se faz o último. Retifico-me. O pior encontro é aquele que se faz o último e guarda segredo. Eram tantas coisas para serem ditas, feitas, mudadas. Agora se fixaram no desejo que não se realizará. Tornaram-se irremediavelmente perdidas, doídas. E fizeram do último encontro o pior de todos. O depois é dúvida cercada pelas possibilidades de irrealização. Incerto ao tornar oculto se irá existir. Desse modo, invista na certeza que nos oferece o momento imediato. Transforme a dor futura realizando todas as coisas hoje, como se nunca mais fosse ser possível realizá-las. Devemos aprender desde já que quem caracteriza o último encontro somos nós e que se apresenta em nossas mãos, portanto, a alteração da primeira frase.

27 de outubro de 2011

Vamos voltar ao começo?.




"Vim pra lhe encontrar, dizer que sinto muito. Você não sabe o quão amável você é.
Tenho que lhe achar, dizer que preciso de você. E te dizer que eu a escolhi.
Conte-me seus segredos, faça-me suas perguntas.
Oh, vamos voltar ao começo?"

Eu queria te proibir de sorrir dessa forma. Quando teus lábios se contraem espontaneamente renasce em mim todo aquele encantamento de tempos atrás. Sinto falta de causar tais sorrisos. Sinto falta de você. E você sabe. Todo mundo sabe. E eu sei que você prefere fingir não saber. Errei muito, você também, mas nosso maior erro está sendo permanecer separados. Não reclama da vida assim fazendo essa cara de choro, morro de vontade de cuidar de você. Deixa? Seria como nos velhos tempos. Desencana dessa história de nos limitar à amizade, você sabe que podemos ir muito além. Tens meu ombro à tua disposição, assim como o coração. Agora você poderia parar de cerimônia e aceitar. Esse teu argumento de que insistir em nós é errar de novo é desculpa para esconder que ainda me ama. Não há como saber se não tentarmos. O que passou, passou. Eu mudei. Você também. Embora continue extremamente sexy quando faz essa feição de indecisa. Está vendo, eu ainda consigo te fazer rir. O que mais precisamos se já temos amor e felicidade? Te peço um abraço e você nega. Não entendo porque evita maiores aproximações. Tem medo de não resistir? Você alega ser a inocente e eu o culpado. Acusa-me de segundas intenções. É verdade, mas minhas intenções não param nas segundas. Garanto que a primeira é te fazer feliz. Você vacila ao descruzar os braços que desde que eu cheguei agiam como armadura. Chego mais perto, te encaro e você desvia os olhos. É só um abraço. Se você quiser. Você cede. Senti falta disso: você entre meus braços. Você sussurra que também, mas em seguida se afasta. Não dá mais, você insiste. Eu digo que dá sim, basta você se permitir. Você diz que talvez não queira. Rio ao notar que continua sendo uma péssima mentirosa. Trago-te para mais perto e levo meus lábios a um centímetro dos seus. Prove-me que você não quer. Prometo ir embora se você se afastar. Caso contrário, trocaremos esse seu título de ex-namorada que convenhamos não combinar nem um pouco com você. Você não concorda nem discorda, apenas me beija. E eu não preciso de qualquer outra resposta.

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